O chamado inadiável da Nigéria: Por que a igreja não pode ser passiva diante da perseguição
- Bispo Gabriel Rocha

- 13 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 16 de nov. de 2025

Fonte: Portal Guiame
A perseguição a cristãos não é uma nota de rodapé na história bíblica; é a realidade vivida por nossos irmãos e irmãs em diversos pontos do globo, sendo a Nigéria atualmente um de seus epicentros mais violentos. Como corpo de Cristo, o CONSELHO DE PASTORES DE SÃO JOSÉ (CONPASJ) convoca a igreja brasileira à oração, à ação e, principalmente, a um entendimento bíblico sobre o Fim dos Tempos.
A tragédia na Nigéria: O epicentro global da perseguição
A violência na Nigéria, impulsionada por grupos extremistas como o Boko Haram e por milícias locais (muitas vezes de etnia Fulani), transformou o país em um dos lugares mais perigosos do mundo para se professar a fé em Jesus.
Os Números do Martírio:
Mais de 50.000 cristãos assassinados na Nigéria desde 2009, de acordo com a organização Open Doors, que monitora a perseguição religiosa global.
Em média, cerca de 30 cristãos são mortos por dia na Nigéria por motivos ligados à religião, segundo relatórios recentes.
Massacres brutais em estados como Benue, onde centenas de pessoas foram mortas em um único ataque, revelam a extrema violência e a intenção de aniquilar a presença cristã em certas regiões.
Estes não são apenas números; são vidas, famílias e igrejas que clamam por justiça e solidariedade.
A reação política e global

A crescente brutalidade tem forçado a atenção internacional. Recentemente, a situação ganhou destaque com a pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações públicas, Trump ameaçou a Nigéria com ações severas, incluindo a suspensão de ajuda e a possibilidade de intervenção militar, caso o país não tomasse medidas imediatas para conter os "assassinatos em massa de cristãos."
Enquanto o governo nigeriano tem rejeitado a caracterização de intolerância religiosa e a ameaça de ação militar unilateral, a pressão política de grandes potências evidencia que o silêncio não é mais uma opção.
A posição da Igreja global:
As principais organizações de apoio à Igreja Perseguida, como a Portas Abertas (Open Doors) e a Fundação Pontifícia ACN, têm se posicionado de forma unânime:
Denúncia e Defesa: Exigir que governos e mídias globais não minimizem a violência, que muitas vezes é classificada de forma errônea como "conflito socioeconômico" ou "étnico", e sim como perseguição religiosa direcionada.
Solidariedade e Oração: Conclamar a igreja mundial à oração fervorosa pelos sequestrados, pelas famílias das vítimas e pelos líderes da igreja nigeriana.
Apoio Prático: Levantar recursos para os milhões de deslocados internos que perderam tudo e precisam de abrigo, alimento e apoio psicológico.
O silêncio Brasileiro: Omissão governamental e a Mídia Seletiva
É inegável a urgência do que ocorre na Nigéria, mas, no Brasil, a resposta a essa crise é marcada por uma omissão que precisa ser denunciada.
Hoje, a cobertura e o destaque sobre a perseguição religiosa só são encontrados, majoritariamente, nas mídias do segmento cristão. Isso contrasta drasticamente com a indiferença da grande mídia de massa e do posicionamento morno de nossas autoridades.
A Covardia da Imprensa e o Desinteresse Político
Para mim, essa seletividade não é acidental: A omissão da nossa mídia em massa, que minimiza a situação ou a descaracteriza como simples conflito étnico/territorial, é uma atitude covarde, muitas vezes promovida pelas ideologias de esquerda que hoje pautam grande parte da imprensa brasileira.
A perseguição a cristãos é um fato global. A falta de destaque na mídia secular e a ausência de um posicionamento firme do Governo Brasileiro — cobrando e pautando o assunto diante da comunidade internacional — apenas reforçam a sensação de que o tema é conveniente apenas para um segmento.
Enquanto a Igreja Perseguida clama por socorro, a sociedade brasileira é mantida em grande parte na ignorância, o que dificulta a mobilização e o apoio real. É dever também dos conselhos de pastores, inspirar, para que cada pastor, rompa esse silêncio. Precisamos pressionar nossas autoridades e a sociedade, para que o clamor dos nossos irmãos nigerianos não seja abafado pela conveniência ideológica.
O posicionamento do Conselho de Pastores
O Senhor Jesus nos alertou em João 16:33: "No mundo tereis aflições...". A perseguição é a marca inegável do Cristianismo autêntico. Contudo, nossa resposta não pode ser a passividade.
Como membro da diretoria do CONPASJ e do CONPAF (Conselho de Pastores de Florianópolis), peço que as Igrejas de São José devem reagir com uma estratégia dupla:
1. Ação Espiritual e Missionária (O Foco Principal)
A melhor maneira de proteger o Cristianismo é pregando-o. A perseguição nos lembra que nosso tempo aqui é limitado e que nossa missão é urgente.
Oração Estratégica: Pastores e igrejas devem pautar a Nigéria e outros países na Lista Mundial da Perseguição em seus cultos e grupos de oração, intercedendo especificamente por proteção e fortalecimento da igreja local.
Investimento em Missões: Direcionar recursos e apoio real para as agências missionárias que atuam em locais de alto risco, onde é "proibido" falar do amor de Cristo. O Evangelho se espalha mais rápido debaixo de pressão.
2. Ação profética e Política (A Voz Pública)
Não podemos permitir que a sociedade ignore o sofrimento de nossos irmãos.
Pressione Nossas Autoridades: Os conselhos, em seu papel de representação, deve pressionar politicamente as autoridades brasileiras, principalmente de abrangência NACIONAL (deputados federais, senadores e o Itamaraty) a se manifestarem e agirem em fóruns internacionais, cobrando do governo nigeriano. Na pior das hipóteses gestos simbólicos representativos que vá parar na mídia.
Pautar a Sociedade: Utilize o blog e os púlpitos para debater a perseguição. Que a sociedade catarinense entenda que a perseguição não é um mito; é um fato atual.
O chamado Final: Escatologia e Evangelismo

É vital que a Igreja Global e Brasileira compreenda a Escatologia (estudo sobre o fim dos tempos). Mais importante do que debater os detalhes do arrebatamento, é entender e aceitar que estamos no final dos tempos e que a perseguição é um sinal disso.
O fim dos tempos não é tempo de retraimento, mas de aceleração da Grande Comissão. A nossa segurança não está em leis humanas, mas na Palavra. O foco deve ser: fazer discípulos de todas as nações antes que a Porta se feche. Pois, como nos garante a promessa final:
"E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." (Romanos 10:13)
Que a voz nossa voz se una ao clamor global pela Nigéria, e que a Palavra de Deus continue a correr, mesmo sob fogo!

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