A unidade que gera milagres: Um chamado Urgente para a Igreja de Hoje
- Pastor Felipe Cunha

- 18 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Em um tempo marcado por polarizações, ruídos digitais, relações frágeis e comunidades cada vez mais fragmentadas, a Igreja de Cristo continua chamada a viver algo profundamente contracultural: a unidade que gera vida, crescimento e milagres.
O Salmo 133 permanece profético para os nossos dias:
“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união... ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.”
A promessa é clara e inegociável: onde há unidade, Deus ordena bênção e vida.
Onde há divisão, o Espírito é entristecido e a missão perde força. Neste artigo, reflito sobre a natureza da unidade bíblica e seu papel vital para a saúde da igreja local, especialmente ao encerrarmos mais um ano de trabalho pastoral e nos prepararmos para um novo ciclo de desafios e oportunidades.
1. A Igreja – Um povo chamado para fora, chamado para perto
A palavra “igreja” (grego - ekklesia) nos lembra que somos chamados para fora do mundo corrompido, fora das trevas (Cl 1.13), fora do individualismo e fora da vida desconectada do Reino.
Mas também somos chamados para dentro de uma família espiritual; para dentro de uma comunhão que molda, corrige, sustenta e envia.
A vida cristã não acontece no isolamento. Deus sempre formou m povo, não apenas indivíduos.
2. Unidade – Mais do que um valor, um princípio espiritual
O Salmo 133 mostra que a unidade não é apenas uma virtude moral; mas a unidade é um ambiente espiritual onde a glória de Deus repousa. Biblicamente, a unidade funciona como:
Óleo que desce da cabeça (autoridade) para as vestes (corpo);
Orvalho que fertiliza a terra e traz vida;
Um lugar onde Deus escolhe ordenar Sua bênção.
Jesus foi taxativo em Mt 12.25:
“Todo reino dividido contra si mesmo é devastado, e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”.
E Amós foi igualmente claro no capítulo 3 – verso 3 quando diz:
“Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”
Não há crescimento sem acordo, não há avivamento sem aliança, não há missão sem unidade.
3. O modelo da igreja primitiva é desafio para nós
A igreja de Atos experimentou crescimento e impacto porque cultivou comunhão antes de estrutura.
Atos 2.46-47 “Perseveravam unânimes... e o Senhor acrescentava...”
Atos 4.32 “Da multidão dos que creram, era um o coração e a alma.”
Eles não tinham templos, instrumentos modernos, redes sociais ou apoio institucional, mas tinham algo que nenhuma tecnologia produz: COMUNHÃO SINCERA. Hoje temos recursos que eles nunca imaginaram, mas muitas vezes nos falta aquilo que eles nunca abriram mão: a UNIDADE. Para pastores e líderes o alerta é crucial: A estrutura pode fortalecer a missão, mas somente a comunhão sustenta a igreja.
4. O que é comunhão? Uma espiritualidade compartilhada
A palavra comunhão (grego-koinonia) não significa socialização superficial, mas compartilhar vida, não apenas culto; partilhar cargas, não apenas informações; carregar uns aos outros, não apenas estar no mesmo espaço. Comunhão envolve vulnerabilidade, serviço mútuo, hospitalidade, empatia, perdão constante, presença intencional e amor que supera diferenças.
Não existe comunhão virtual. As redes sociais aproximam telas, mas não aproximam corações. A fé bíblica requer mesa, olho no olho, presença, discipulado e vida em comum.
5. Comunhão revela maturidade espiritual
João é contundente ao conectar comunhão horizontal com comunhão vertical.
I Jo 1.7 “Se andamos na luz... temos comunhão uns com os outros.”
I Jo 4.8 “Quem não ama seu irmão, não conhece a Deus.”
Pastoralmente, isso é decisivo, porque o termômetro da maturidade de uma igreja não são seus eventos, mas suas relações. Uma igreja pode ser forte na liturgia, na pregação, na música, na ação social, na expansão ministerial, e tantas outras áreas, mas jamais será saudável se falhar na comunhão.
Jesus afirmou em João 13.35 “Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
Sem amor perdemos autoridade espiritual;
Sem unidade perdemos impacto missionário;
Sem comunhão perdemos a identidade cristã.
6. Como cultivar comunhão na igreja local?
Envolvimento no corpo – participar não só de cultos, mas do estilo de vida comunitário.
Intercessão mútua – uma igreja que ora junta permanece junta.
Prática da hospitalidade – abrir a casa, a mesa e o coração.
Celebrar e sofrer juntos – Rm 12.15 resume: festas compartilhadas multiplicam alegria; lágrimas compartilhadas dividem a dor.
Resolver conflitos com rapidez e humildade – perdão é combustível da comunhão (Ef 4.26).
Priorizar presença e convivência – a comunhão bíblica não é opcional; é vital para a fé.
7. A Ceia do Senhor – o sacramento da comunhão restaurada
A mesa da Ceia não aponta apenas para a Cruz, mas também para o Corpo. Por isso Paulo exorta em I Co 11.28 “Examine-se o homem a si mesmo.”

A Ceia é momento de restaurar relacionamentos estremecidos, vínculos familiares, alianças ministeriais e compromisso congregacional. Sem comunhão, a Ceia se torna rito. Com comunhão, a Ceia se torna vida.
Conclusão
A bênção do Sl 133 ainda é possível, e urgentemente necessária. Neste tempo de grandes desafios sociais, pressões emocionais e ataques à fé, a igreja só continuará relevante se continuar UNIDA!
O mundo não precisa de igrejas perfeitas, ele precisa de igrejas reconciliadas, de comunidades que revelam Cristo através do amor, de líderes que vivem a unidade que pregam.
A promessa permanece:
“Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.”
Que nossas igrejas, famílias e ministérios sejam lugares onde Deus encontre “ali”.
Que o novo ano seja marcado por relacionamentos restaurados, liderança saudável, comunhão profunda e unidade que gera milagres.




esse texto serve como esboço para ser pregado pelo menos uma vez a cada seis meses em todas as igrejas. Deus abençoe!
Que mensagem atual e profunda! Essa reflexão precisa chegar ao maior número possível de crentes e principalmente lideres religiosos, a fim de promovermos a unidade da igreja.
Uma igreja saudável é uma igreja unida! 🙏
Amém 🙏
Excelente reflexão!